Que não tem mais fim

30 05 2009

por Maycon Lopes

O ENECULT se despede deixando a maioria dos/as participantes saudosos/as, com um quê de quero mais. Como tudo o que envolve vigor, foi cansativo, mas regozijante, da organização, da produção do evento àquele/a que sequer realizou a inscrição, mas pôde acompanhar as atividades do Encontro.
Como não poderia deixar de ser, um evento marcado pela multidisciplinaridade recepcionou um público também multidisciplinar, cuja composição foi de estudantes, pesquisadores/as de diferentes áreas de conhecimento, produtores/as culturais, militantes das chamadas “minorias”, e demais pessoas que, de alguma forma, se interessam pelo inevitável — e inesgotável — debate da cultura.
Figurinhas trocadas, interesses afins revelados, inquietações levantadas, ou mesmo o compartilhar de uma mesa de bar, tudo por onde permeia a cultura, tudo. O grande e presente público fez da sua presença o reconhecimento do trabalho e dedicação empenhada desde a primeira edição do evento, elemento fundamental para o seu sucesso. Público que fez da sua rotina nesses três dias o trânsito entre a ampla e diversificada programação do ENECULT; Mesas compostas por pesquisadores/as de renome nacional e internacionalmente, lançamentos de livros e coquetel, emocionante aula-show com José Wisnik — a chave de ouro com que fechamos — além de aproximadamente 60 sessões de trabalhos.
A grande novidade sem dúvida foi a transmissão ao vivo das Mesas pela internet e a cobertura jornalística veiculadas pelo nosso blog, que, feliz e surpreendentemente, recebeu, em apenas três dias de evento, mais de 2 mil acessos, possibilitando o conhecimento a respeito das atividades daqueles/as que eventualmente não puderam comparecer ou mesmo de pessoas que acompanharam as atividades então “cobertas”.
Informamos que até a próxima semana ainda disponibilizaremos imagens, vídeos, slides e possivelmente textos que fizemos do evento, até mesmo para matar a saudade que já se faz.
O nosso muito obrigado e até o próximo ENECULT!





Aula Show encerra V Enecult

30 05 2009

Por Ana Paula Pereira e Windson Souza

O Enecult de 2009 foi fechado em grande estilo na noite de 29 de maio com a Aula Show de José Miguel Wisnik e Arthur Nestrovski, no auditório da reitoria da UFBA. A dupla vem apresentando esta aula por todo o Brasil, tendo sempre um tema diferente pra cada região visitada, as apresentações intercalam música e palestra, envolvendo toda a platéia.  As letras foram cantadas por Wisnik, e Nestrovski acompanhou tocando seu violão.

A Aula Show se inicia.

A Aula Show se inicia.

A atração de abertura também foi de grande qualidade, com apresentação instrumental de Lucas e Pedro Robato, ambos integrantes da orquestra sinfônica e ganhadores de prêmios dentro e fora do Brasil. Após a abertura, entrou em cena Wisnik e Nestrovski com a bela canção Tempo sem tempo, seguida pelo Baião De Quatro Toques. Depois, Wisnik informou um pouco sobre o trabalho realizado através das aulas shows no Brasil, e entreteu a platéia como uma divertida canção que dizia: “só duas coisas tem valor na vida: comida e bebida”.

Wisnik cantou e tocou a música Assum Preto.

Wisnik cantou e tocou nessa noite de sexta.

Após isto, Wisnik falou sobre os momentos fundamentais da Música Popular Brasileira, e após fazer reflexões sobre a bossa nova e comentar fatos sobre Vinicius de Moraes até Barack Obama, cantou A Felicidade, de Vinicius e Tom Jobim, contando com a apoio vocal da platéia. A música em seguida foi Assum Branco, inclusive foi durante esta canção que Wisnik se sentou ao piano, proporcionando um dos mais belos momentos da noite, interpretando também Assum Preto, de Luiz Gonzaga . A seguir ocorreu um momento de descontração com a divertida música Trio de Efeitos, composta por José Miguel Wisnik e Luís Tatit. Depois de se divertirem, a platéia se emocionou com a próxima canção interpretada, vale a pena destacar o refrão: “Se o homem ama por amar e a mulher ama por amor, quem vai poder nos abraçar e compreender a nossa dor?”. Essa canção foi feita para a montagem da última peça de Nelson Rodrigues, intitulada A Serpente. Ainda aproveitando essa atmosfera, Wisnik cantou Pecado Original, de Caetano Veloso, também baseada em texto de Nelson Rodrigues. Ele destacou a competente capacidade dialógica contida na letra.

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Aula-Show no Encerramento do Enecult

30 05 2009

A Reitoria da UFBA ficou pequena para o público ansioso por conferir a aula-show de José Miguel Wisnik e Arthur Nestroviski, atividade que marcou o encerramento do V Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura.

A relação entre a letra e a melodia na música foi um dos  temas mais marcantes da aula-show conduzida pelos músicos. Wisnick compartilhou com o público a história da criação de algumas de suas composições, como Baião de Quatro Toques, em parceria com Luis Tatit; e Assum Branco, um diálogo com a obra de Luiz Gonzaga. Ao final, cantou junto com o público música criada a partir de um poema de Gregório de Mattos, e foi aplaudido de pé.

Ao final do evento, o Reitor da UFBA, Naomar Almeida, comprometeu-se com os artistas e com o público a trazê-los de volta à UFBA – desta vez, não para uma aula, mas para um curso-show. Segundo o Reitor, a atividade deve acontecer em parceria com o Instituto de Humaniades, Artes e Ciências e com o Instituto de Letras da UFBA.





Cultura por toda parte

29 05 2009

Por Júlia Salgado e Simone Braz

Na sala 10 da FACOM ás 14h30 aconteceu à mesa “Políticas Culturais”. O tema foi discutido através de três objetos distintos e contando com a presença dos integrantes Karoliny Diniz Carvalho, João Luiz Pereira, Vitor Neves de Souza, e Fabrício Santos de Mattos.

 João Luiz Pereira, Vitor Neves de Souza e Karoliny Diniz Carvalho

Karoliny Diniz Carvalho trabalhou os barracões de bumba-meu-boi, um projeto desenvolvido pela Secretária de Cultura Municipal de São Luís, que visa utilizar os barracões como espaços de preservação do legado cultural, das festas populares como comemoração e congraçamento, fato de memória e identidade. Relata também sobre novos significados de festas e celebrações populares como bem de consumo turístico.

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Impactos da Tecnologia

29 05 2009

Por Ana Paula Pereira e Windson Souza

Nessa sexta feira de tarde aconteceu na sala 06 da Facom/UFBA a sessão de trabalhos Impactos da Tecnologia, foram apresentações sensacionais expostas por Júlia Machado de Carvalho (PUC – RJ), Maria Christianni Coutinho Marçal (UFPE), Renato Izidoro Silva (UFBA) e Gilvan Vilarim (UFRJ).

Júlia Carvalho, que também foi coordenadora da mesa, iniciou as exposições, sua apresentação teve o título “O Olhar Estrangeiro: as máquinas fotográficas como tecnologia do comércio de imagens”. Como forma de exemplo, Júlia exibiu o documentário Nascidos em Bordéis, na produção uma estrangeira se insere no universo das crianças indianas filhas de prostitutas, colocando câmeras em suas mãos e documentando suas descobertas e vivências. Carvalho então levantou questionamentos sobre até que ponto as crianças do filme podem estar sendo controladas e como o olhar do autor se insere na realidade mostrada. Júlia ainda mostrou exemplos de outras produções como “Eu, um negro” e “Nanook, o esquimó”.

A segunda apresentação foi a da doutoranda Maria Christianni, intitulada “Os Reflexos “Reais” da Tecnologia e as crises silenciadas”. Com vies filosóficos e psicanalíticos ela buscou discutir a onipresença da tecnologia e o real, especificando os efeitos que eles produzem.

Renato Izidoro

Renato Izidoro

Em terceiro, Renato Izidoro, da Universidade Federal da Bahia, apresentou o trabalho “Corpo e Espírito: Qual o lugar da existência cultural?”, em que tenta desmontar a questão da metafísica e estudar de que maneira o espírito não transcende a limitação corpórea. “Como é possível deslocar essa questão simbólica da abstração?”, é este o questionamento deixado por Renato, que buscou elucidar ao menos uma parte deste complicado mecanismo.

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Representações do corpo na arte

29 05 2009

Por Geise Oliveira e Ivna Pires

Discutindo o corpo e a arte

A sessão de trabalhos sobre Corpo e Arte aconteceu dia 29 de maio na sala 11 da Facom.

Líria de Araújo Morais palestrou sobre a dança de corpos conectados e improvisação. Para tanto, desenvolveu conceitos como conectividade, corpomídia e dança. A teoria geral dos sistemas foi dimensionada dentro da concectividade como forma de relação que modifica o outro. Foram usados vários autores nesse trabalho para explicar melhor a relação entre corpo, informação e dança. Na conclusão do trabalho foi afirmado que o cérebro faz parte da mente e a mente é o corpo como um todo.

Poliana Bicalho analisou o corpo cênico e os discursos que o atravessam. Como objeto de análise utilizou o espetáculo “Judite quer chorar, mas não consegue” , que é um solo coreográfico realizado por um deficiente físico. Esse espetáculo apresenta um diferencial entre as coreografias que o deficientes físicos executam, pois eles geralmente são usados como apoio e nesta apresentação aparece uma nova possibilidade. Um questionamento levantado pela palestrante, foi se ao mudar uma posição estamos deixando de ser nós mesmos.

José Antônio expôs sobre cultura, religiosidade e carnavalização. Apontou aspectos das narrativas como estratégias de criatividade e especificamente desenvolveu as narrativas chamadas “culturas negras”.Elton explicando o seu objeto de pesquisa

Elton Vitor Coutinho teve como objeto de pesquisa o corpo na contemporaneidade, analisando obras de Hansen e Damário. Ressaltou a utilização das xilogravuras como expressão do corpo feminino. Citou Jeudy, ao afirmar que se existe cultura o corpo se revela na mesma. Desta forma, aceitar o outro é também o olhar suas próprias identidades culturais.

Dia: 29 de maio

Horário: 14:30 às 17:30

Local: Sala 11 da Facom – UFBA

Sessão de trabalhos: Corpo e Arte

Palestrantes: Luciana Lopes Rocha, Líria de Araújo Morais, Poliana Lima Bicalho, Elton Vitor Coutinho da Silva dos Santos, José Antônio Carneiro Leão.





Gênero e Cultura no Enecult

29 05 2009

A semântica cordial – representações da mulher negra no turismo de Salvador foi o primeiro tema discutido na abertura da sessão de trabalhos Gênero e Cultura, às 14h30, na sala 5 da Facom. Os pesquisadores Diego Casaes e Juliana Cunha Costa falaram sobre como discursos, a exemplo do publicitário, tratam a mulher como objeto de consumo e desejo.

Já a cobertura do Jornal El Mercurio sobre Michelle Bachelet, primeira mulher eleita presidente pelos chilenos, foi o tema do estudo apresentado pela estudante de jornalismo da Ufba Renata Inah Vidal. O trabalho é desenvolvido no Grupo de Pesquisa Miradas Femininas, da Ufba.

Duas outras integrantes do Grupo Miradas, coordenado pela professora Linda Rubim, participaram da sessão. Os traços femininos nos grafites de Salvador inspiraram o trabalho Mulheres no Muro, desenvolvido pela mestranda Margarida Morena. Já o cotidiano das redações baianas foi o ponto de partida para a pesquisa Mulheres Jornalistas: percussos e percalços, da mestranda Ana Fernanda Campos de Souza.

A pesquisadora Eliane Maria Chaud encerrou a mesa com o trabalho A Natureza Feminina no Cerrado, sobre as diversas expressões do trabalho de artesãs de Goiás. O objetivo é ressaltar a importância da atividade para a construção e afirmação da identidade histórico-cultural de Goiás.





Gestão Cultural no Mercosul, Gestão Pública não Estatal e Mediação Cultural

29 05 2009

Por Juan Brizuela

No último dia do encontro ás 14,30 hs. (sala 9 da FACOM), aconteceu a mesa de trabalhos sobre Gestão, Mediação e Política Cultural. Carregada de palestrantes de excelente qualidade regional e internacional, a mesa começou com o trabalho de Selma Maria Santiago Lima (Secretaria de Cultura de Fortaleza): A gestão cultural como instrumento de desenvolvimento em Guaramiranga, Ceará. Selma ressaltou o baixo porcentagem de municípios com secretaria de cultura própria ( 4% aproximadamente) e como nas cidades pequenas com pouco desenvolvimento a gestão cultural gera um processo de transformação social importante.

Nessa mesma perspectiva as convidadas internacionais, Silvia Aballay e Carla Abendaño (CDE – Universidad Nacional de Villa María, Argentina) avaliaram os resultados de desenvolvimento cultural do programa da Universidade Nacional de Villa Maria, “Cultura para el desarrollo estratégico” (CDE).  Silvia trabalha com gestores culturais da provincia de Córdoba desde o ano 1992, procurando formar, qualificar e sensibilizar os atores culturais de diferentes municípios da região. Para as pesquisadoras cordobesas, a gestão cultural não aparece nos próprios funcionários de cultura nem prefeitos, como ferramenta de transformação e desenvolvimento local. Tampouco aparece nas campanhas políticas, nem sequer de modo instrumental. Quando aparece, só faz referencia a alta cultura ou cultura de elite.

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Cultura, Gênero e Sexualidade

29 05 2009

(Foto: Mariele Góes / Labfoto)

(Foto: Mariele Góes / Labfoto)

Pesquisadora-coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu (Unicamp), Larissa Pelúcio fala sobre a Teoria Queer como espaço de luta política que busca a naturalização de uma série de opressões, além da desconstrução de binarismos que enrijecem possibilidades de transformação.





Sobre a teoria queer

29 05 2009

Questiona Luis Paulo da Moita Lopes – “Não seria essa uma articulação teórica que nos levaria a politizar a vida social, nos permitindo pensar em novas sociabilidades?”