Mesa coordenada Lan Houses para quê e para quem? Um espaço e seus múltiplos usos nas periferias das cidades contemporâneas
Aconteceu nesta tarde a mesa coordenada Lan Houses para quê e para quem? Um espaço e seus múltiplos usos nas periferias das cidades contemporâneas, às 16:30h, no PAF 3.
A mesa foi iniciada com a fala do professor Luiz Fernando Moncau sobre o trabalho Lan Houses: os desafios da formalização desses centros de inclusão digital. Os dados apresentados apontaram que a grande maioria das pessoas usam as Lan Houses para acessar a internet, estabelecimentos quase sempre não formalizados. O professor buscou, então, saber se a fiscalização desses locais deve ser mais rigorosa ou se a legalização deve ser facilitada.
Segundo Moncau, vários projetos de lei visam proibir ou inibir o uso das Lan Houses, apenas uma minoria vê os estabelecimentos como um espaço cultural que deve ser aproveitado. Para o pesquisador, o poder público está desinformado acerca desse viés cultural que a Lan House pode ter e da inclusão digital que ela pode proporcionar.
A segunda apresentação foi a do trabalho Juventudes na Lan House: a experiência de (re)invenção de usos em duas favelas cariocas, da pesquisadora Pâmella Passos, doutoranda da Universidade Federal Fluminense e professora do CEFET-RJ. Para a pesquisadora, a Lan House é um local de informação, cultura e educação, com público majoritariamente jovem. Ela enfatizou o uso de blogs para expressar a realidade das comunidades através desses jovens, muitas vezes não abordada pela grande mídia. O uso do twitter Voz da Favela durante a invasão do Complexo do Alemão foi citado pela pesquisadora. Na rede social, a operação foi narrada e divulgada para todo o país.
O artigo Inclusão Digital em dois planos: reflexão sobre entretimento, educação e diferença cultural, da professora e pesquisadora Carla Barros, também foi citado por Pâmella Passos. A pesquisadora falou sobre a atitude dos atendentes das Lan Houses, vistos muitas vezes como pessoas que vão “cuidar” e educar as crianças deixadas pelos pais no local. Ela destacou as vivências de aprendizados coletivos, apesar de problemas com redes sociais e uso indevido da rede. A fala foi finalizada com a idéia de entretenimento e educação como partes das mudanças sócio-culturais.
Por fim, a mesa foi aberta para o debate.

