Consumo Cultural, Celso Furtado e Cultura Organizacional

28 05 2009

Por Juan Brizuela

A mesa de trabalhos da quinta-feira (14,30 hs. na sala 4 da FACOM), foi para o tema Economia e Cultura. O trabalho de Ana Flávia Machado e Sibelle Cornélio Diniz (UFMG – CEDEPLAR), apresentado por Sibelle, é uma pesquisa sobre o consumo cultural nas metrópoles brasileiras, a partir de dados da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar). As pesquisadoras mineiras procuram conhecer os determinantes de consumo cultural, a través de variáveis como: educação, gênero, cor, preço dos bens e serviços, entre outras.

Os resultados preliminares destacam que no Brasil, só 27% das pessoas em média tem algum tipo de consumo cultural. Desse percentual, destinam menos de 1,5% do orçamento familiar para bens e serviços culturais. Das regiões metropolitanas, os domicílios consumidores de cultura ascendem a um 75% em Brasília, seguido por Salvador com 50%, notavelmente superior a São Paolo, que tem 40% de lares que consomem bens culturais.

Sibelle concluiu que na pesquisa aparecem como principais determinantes do consumo cultural a educação e a renda do consumidor, a diferença entre regiões urbanas e metropolitanas e a cor da pele. No debate, a metodologia de pesquisa foi questionada por o público, alem da pouca confiabilidade dos dados da POF.

Bruno Borja (UFRJ) expôs sobre Cultura e Desenvolvimento no pensamento de Celso Furtado. Bruno ressaltou a pertinência e atualidade de Celso Furtado, principalmente na forma que o sistema capitalista mundial continua construindo uma cultura de dependência no Brasil e outros países em desenvolvimento. O pesquisador carioca destacou que ao incorporar tecnologia, estamos incorporando cultura, assimilando valores, comportamentos e modos de vida, sobretudo estadunidenses, como no século XIX aconteceu com a hegemonia Inglesa.

Relembrou que para Celso Furtado, a cultura tem uma parte material que interage com aquela não material (expressões artísticas, religiosas, entre outras) a partir de condições objetivas e subjetivas. A difusão da base material traz também uma assimilação da cultura hegemônica. O debate com a audiência foi a partir de reconhecer a resistência que muitas cidades e comunidades fazem a partir duma afirmação da sua identidade, em contra do consumo massivo e foraneo de diferentes bens e serviços.

Finalmente, Elaine Norberto (UFBA) fez uma interessante dissertação sobre a Cultura Organizacional e a Diversidade Cultural. A direção duma empresa, instrumental-empresarial, traz também uma estrutura organizacional. A mesma supõe, para a pesquisadora anfitrioa, uma cultura de poder e uma forma de instituir as práticas pela organização. Mas não somente o organograma determina a cultura organizacional, se não o contexto empresarial e laboral (seja monopólio, oligopólio, competência perfeita).

Tomando a teoria de Elias sobre o solo social e as diferentes camadas que fazem parte duma identidade, a pesquisadora soteropolitana explica que as práticas organizacionais interiorizadas pelos trabalhadores são também parte do solo social, dessas capas de identidade que dia a dia aparecem como padrões empresariais. Eliane concluiu que as empresas seguem sendo capitalistas, porém cada uma cria diferencias culturais no mundo do trabalho.





Modernidade, Cultura e Sustentabilidade

27 05 2009

Por Geise Oliveira, Ivna Pires e Juan Brizuela

Hanayana explicando as Leis de Incentivo do estado

No dia 27 de maio, a sessão de trabalhos realizada na sala 11 da Facom-UFBA às 14:30 foi sobre Consumo, Gestão e Políticas Culturais .

Hanayana Brandão (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – Pós-Cultura da UFBA) desenvolveu o tema:  financiamento e   fomento da cultura na gestão do governador da Bahia,  Jaques Wagner. Foram trabalhados tópicos como financiamento da cultura como consequência da política cultural, a grande capacidade cultural do Brasil, a prática do clientelismo nos financiamentos, além de dados sobre a economia da cultura.  Especificamente, a palestrante discorreu sobre as formas de financiamento do estado da Bahia, como o Fazcultura, o Fundo de Cultura, Credibahia Cultural e o Carnaval Ouro Negro.

Daniele Canedo (Doutoranda do Pós-Cultura/UFBA), tratou do conceito de cultura e de sua amplitude. Durante sua apresentação foram discutidos temas comoDaniele Canedo, explicando seu objeto de pesquisa a dificuldade da utilização de um único conceito de cultura, a evolução histórica deste conceito e sua ampliação crescente. As conferências estaduais de cultura foram dimensionados e também a necessidade do Estado em trabalhar a cultura em seu conceito mais ampliado. Foi muito interessante para o debate a aparente contradição entre reconhecimento e tolerância. E uma das perguntas do público foi o significado de respeitar as diferenças.

Tânia Mara (Mestranda em Ciências Sociais/ UFBA) discorreu sobre a contradição entre sustentabilidade e o capitalismo. O sistema capitalista requer uma produção em grande escala, alimentar o consumo e o lucro, e isso vai completamente contra do respeito a natureza. Falou também sobre a importância dos ambientalistas e eco-economistas, que tentam mudar a lógica de tratar a natureza como mercadoria.

Em linhas gerais, Juciara (Doutoranda do Pós-Cultura/UFBA), tratou do movimento modernista e como ele chegou ao Brasil,  principalmente São Paulo e Rio de Janeiro e como chegou tardiamente a Salvador. Também foi abordado o papel de Anísio Teixeira em abrir caminho para a experiência modernista no Brasil.