Guacira e os sujeitos impensáveis

4 06 2009

por Maycon Lopes

Disponibilizamos abaixo dois trechos da palestra proferida pela Profa. Dra. Guacira Lopes Louro (UFRGS), que expôs, na Mesa Cultura, Gênero e Sexualidade o cerne, por assim dizer, da teoria queer, a começar pela máxima da filósofa Judith Butler: “discursos habitam corpos”.





Gênero e Cultura no Enecult

29 05 2009

A semântica cordial – representações da mulher negra no turismo de Salvador foi o primeiro tema discutido na abertura da sessão de trabalhos Gênero e Cultura, às 14h30, na sala 5 da Facom. Os pesquisadores Diego Casaes e Juliana Cunha Costa falaram sobre como discursos, a exemplo do publicitário, tratam a mulher como objeto de consumo e desejo.

Já a cobertura do Jornal El Mercurio sobre Michelle Bachelet, primeira mulher eleita presidente pelos chilenos, foi o tema do estudo apresentado pela estudante de jornalismo da Ufba Renata Inah Vidal. O trabalho é desenvolvido no Grupo de Pesquisa Miradas Femininas, da Ufba.

Duas outras integrantes do Grupo Miradas, coordenado pela professora Linda Rubim, participaram da sessão. Os traços femininos nos grafites de Salvador inspiraram o trabalho Mulheres no Muro, desenvolvido pela mestranda Margarida Morena. Já o cotidiano das redações baianas foi o ponto de partida para a pesquisa Mulheres Jornalistas: percussos e percalços, da mestranda Ana Fernanda Campos de Souza.

A pesquisadora Eliane Maria Chaud encerrou a mesa com o trabalho A Natureza Feminina no Cerrado, sobre as diversas expressões do trabalho de artesãs de Goiás. O objetivo é ressaltar a importância da atividade para a construção e afirmação da identidade histórico-cultural de Goiás.





Cultura, Gênero e Sexualidade

29 05 2009

(Foto: Mariele Góes / Labfoto)

(Foto: Mariele Góes / Labfoto)

Pesquisadora-coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu (Unicamp), Larissa Pelúcio fala sobre a Teoria Queer como espaço de luta política que busca a naturalização de uma série de opressões, além da desconstrução de binarismos que enrijecem possibilidades de transformação.





Gênero como performance

29 05 2009
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(Foto: Mariele Góes / LabFoto)

Luiz Paulo da Moita Lopes aborda heteronormatividade e teoria queer a partir da imagem do jogador Ronaldo “Fenômeno” – de conquistador de mulheres às dúvidas sobre a heterossexualidade do jogador, graças ao evento largamente divulgado pela mídia de seu envolvimento de uma noite com travestis.
O fato é um bom exemplo da lógica binária / heteronormativa adotada pela mídia. Os autores Judith Butler e John Austin e a teoria queer servem de apoio à reflexão do palestrante. Lopes explica a compreensão de gênero como performance: somos homens ou mulheres não por causa de uma suposta essência masculiina ou feminina, mas por causa do que fazemos.

Luiz Paulo da Moita Lopes aborda heteronormatividade e teoria queer a partir da imagem do jogador Ronaldo “Fenômeno” – de conquistador de mulheres às dúvidas sobre a heterossexualidade do jogador, graças ao evento largamente divulgado pela mídia de seu envolvimento de uma noite com travestis.

O fato é um bom exemplo da lógica binária / heteronormativa adotada pela mídia. Os autores Judith Butler e John Austin e a teoria queer servem de apoio à reflexão do palestrante. Lopes explica a compreensão de gênero como performance: somos homens ou mulheres não por causa de uma suposta essência masculiina ou feminina, mas por causa do que fazemos.





Gênero, Sexualidade e Educação

29 05 2009

 

A educação é tradicionalmente um campo normatizador e disciplinador – “Quem trabalha com educaçõ aprendeu a lidar com certezas”, diz Guacira. Daí que as incertezas contemporâneas desestabilizam a insituição escola, que não está acostumada a lidar com a diversidade sexual.
Apesar disso, o Brasil vez dando passos na direção da construção de escolas que sejam mais acolhedoras da diversidade sexual. Guacira aponta a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da adoção, nas escolas, de ações do programa Brasil sem Homofobia.
A própria Guacira compatilha com a platéia na Reitoria sua experiência como formadora de professores na temática da diversidade sexual.

A educação é tradicionalmente um campo normatizador e disciplinador – “Quem trabalha com educaçõ aprendeu a lidar com certezas”, diz Guacira. Daí que as incertezas contemporâneas desestabilizam a insituição escola, que não está acostumada a lidar com a diversidade sexual.

Apesar disso, o Brasil vez dando passos na direção da construção de escolas que sejam mais acolhedoras da diversidade sexual. Guacira aponta a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais e da adoção, nas escolas, de ações do programa Brasil sem Homofobia.

A própria Guacira compatilha com a platéia na Reitoria sua experiência como formadora de professores na temática da diversidade sexual.





Gênero e Sexualidade

29 05 2009

*Foto: Mariele Góes / LabFoto)

Antes mesmo do nascimnto, um profissional de saúde já decreta: “é menino”, “é menina”. Feita a nomeação do sexo físico, espera-se que o sujeito que nasceu assuma comportamentos de seu gênero e que desenvolva desejo sexual por sujeitos do sexo oposto.
Em sua fala, que acontece agora no V Enecult, Guacira Lopes Louro aponta o caráter autoritário da heteronormatividade. Desconstruir a idéia de que esta é uma idéia “natural” é essencial para acolher todos os sujeitos que não seguem estas ordens.
“Há quem fuja a esta ordem e inscreva em seus corpos marcas do masculino e do feminino. A ordem nunca está garantida e precisa ser reiterada continuamente”, diz Guacira, que se baseia na obra de JudithGênero Butler.

Antes mesmo do nascimnto, um profissional de saúde já decreta: “é menino”, “é menina”. Feita a nomeação do sexo físico, espera-se que o sujeito que nasceu assuma comportamentos de seu gênero e que desenvolva desejo sexual por sujeitos do sexo oposto.

Em sua fala, que acontece agora no V Enecult, Guacira Lopes Louro aponta o caráter autoritário da heteronormatividade. Desconstruir a idéia de que esta é uma idéia “natural” é essencial para acolher todos os sujeitos que não seguem estas ordens.

“Há quem fuja a esta ordem e inscreva em seus corpos marcas do masculino e do feminino. A ordem nunca está garantida e precisa ser reiterada continuamente”, diz Guacira, que se baseia na obra de Judith Butler.





Começa mesa Cultura, Gênero e Sexualidade

29 05 2009

 

 

(Foto: Mariele Góes / LabFoto)

(Foto: Mariele Góes / LabFoto)

Começa agora a mesa-redonda Cultura, Gênero e Cidadania, com os pesquisadores Guacira Lopes Louro (UFRGS), Larissa Pelúcio (Unicamp) e Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ), na Reitoria da Ufba. O professor e vice-coordenador do Cult Leandro Colling coordena a mesa.





Gênero, Cordel e Literatura Infantil

28 05 2009

Por Geise Oliveira e Ivna Pires

No dia 28 de maio, às 17h na sala 09 da Facom aconteceu a sessão de trabalhos sobre Gênero e Cultura. Quatro trabalhos foram apresentados, mostrandos faces distintas do tema.

Rocio Castro (Universidade do Estado da Bahia) fez uma reflexão sobre a cultura patriarcal na globalização. Para tanto, houve uma explicação do que seria a cultura ocidental, como esta surgiu e se expandiu. O patriarcado que já é um traço histórico da nossa sociedade, se atualiza no contexto atual através de novas formas, pois segundo a palestrante “mudam as formas, não os conteúdos”.

Vanusa Santos (Universidade Federal da Bahia) desenvolveu a invisibilidade feminina no cordel. A história da mulher como contadora foi demonstrada, desde as histórias transmitidas oralmente até a atualidade, passando pela historiografia que deixou de representá-la.

Marisa Mello (Universidade Federal Fluminense) tratou de gênero, raça e classe na modernidade e subalternidade à brasileira. Foram trabalhados conceitos de cidadania e de hábitos.  Ao longo da palestra, foi explicitado que mesmo a mulher conquistando o mercado de trabalho, a estrutura da sociedade não foi modificada.

Angela Barbosa (Universidade do Estado da Bahia) discorreu sobre literatura infantil e a construção da identidade feminina e masculina. A partir de análises de textos infantis contemporâneos, a palestrante mostrou como estão sendo feitas releituras, reelaboração de personagens e desconstrução de esteriótipos dos papéis de homens e mulheres.

 

Dia: 28 de maio

Horário: 17h às 19h

Local: Facom-UFBA

Sessão de Trabalho: Gênero e Cultura

Participantes: Rocio Castro, Vanusa Santos, Marisa Mello e Angela Barbosa.





Mulher na mídia

27 05 2009

Por Geise Oliveira e Ivna Pires

Este tema foi discutido na Sessão de Trabalhos sobre Gêneros e Produtos Culturais, dia 27 de maio às 17hs na sala 09 da Facom-UFBA.

Edilson Brasil Junior de Souza ( Universidade estadual do Ceará) palestrou acerca da agressão masculina nos vídeos pornôs. Além disto, discorreu  também os processos de identificação envolvidos e gerados no filme e a diferenciação existente na contemporaneidade.

Marcia Veiga Silva (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) trabalhou o caso do jogador Ronaldinho com  travestis e sua repercussão na mídia. Para isto foram analisados os conceitos de jornalismo, gênero e os papéis sociais dos personagens da história: as travestis, o jogador e a Rede Globo. O padrão heteronormativo, baseado no padrão de monogamia, fora discutido em relação à construção dos discursos midiáticos.

Ivia Alves, falando sobre Sex and the City Ivia Alves (Universidade Federal da Bahia) palestrou sobre as séries feitas para o público feminino, especialmente a série Sex and the City e suas herdeiras.  A palestra mostrou como as séries contemporâneas, apesar de seu ar arrojado, tendem a reproduzir ideais femininos antiquados.  Estereótipos, imagens de mulheres da atualidade como mais ligadas ao lado afetivo que o profissional também foi fortificado pelas séries analisadas.

ClebClebemilton falando sobre a banda Black Styleemilton Nascimento (Universidade Federal da Bahia), discorreu uma análise feita por ele sobre sete bandas de pagode baiano, mais especificamente da banda Black Style. A Banda criada em 2006 por jovens da periferia de Salvador, fragmenta o corpo feminino, possui letras fazendo apologia a genitália da mulher e usa palavras expressivas que denotam o coito e engendram hierarquias, diz palestrante. A análise ainda parte para a colocação da banda no cenário musical baiano, classificando-se em pagode ou axé music.





Queer o ENECULT!

25 05 2009

Por Maycon Lopes

Não nos resta dúvida de que uma das mesas mais aguardadas do V ENECULT acontecerá no último dia do evento, quando então traremos à tona as interseções ‘Cultura, Gênero e Sexualidade’, a serem discutidas pelos/as renomados/as pesquisadores/as Guacira Lopes Louro (UFRGS), Larissa Pelúcio (UNICAMP) e Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ).

Corpo Estranho: uma esclarecedora leitura preliminar (ou não) sobre a teoria queer

Corpo Estranho: uma esclarecedora leitura preliminar (ou não) sobre a teoria queer

Guacira Lopes Louro é doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, aposentada como professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, continua atuando como pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma universidade. Fundadora do GEERGE – Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero, da UFRGS, Guacira possui ampla intimidade com os Estudos Culturais. Aliás, não é à toa que traduziu para o português, pela DP&A, juntamente com Tomaz Tadeu da Silva, a obra do jamaicano Stuart Hall intitulada The Question of cultural identity (A identidade cultural na pós-modernidade). Diga-se de passagem, com considerável prestígio nos – assim chamados – queer studies, dentre os livros da sua autoria, destacam-se: Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista; Currículo, gênero e sexualidade; Um corpo estranho: ensaio sobre sexualidade e teoria queer; a organização de O corpo educado: pedagogias da sexualidade.

A outra pesquisadora que integrará a Mesa chama-se Larissa Pelúcio, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da UNICAMP, e uma

Pelúcio, a antropóloga do mundo-T

Pelúcio, a antropóloga do mundo-T

das  líderes do grupo de pesquisa Corpo, Identidades e Subjetivações, da UFSCAR. Estudiosa em travestilidades, atualmente realiza pesquisa de pós-doutoramento a respeito de travestis brasileiras no mercado transnacional do sexo.  Dentre as suas principais publicações, vale destacar:  Nos nervos, na carne, na pele: uma etnografia sobre prostituição travesti e o modelo preventivo de AIDS (tese); Toda Quebrada na Plástica: Corporalidade e construção de gênero entre travestis paulistas; Três Casamentos e Algumas Reflexões: nota sobre conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem; Sexualidade, gênero e masculinidade no mundo dos T-lovers.

Luiz Paulo da Moita Lopes, que também estará conosco nesse “queer o ENECULT!”, é PhD em Linguística Aplicada pela Universidade de Londres, Professor Titular do Programa Interdisciplinar em Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do CNPq. Moita Lopes

O ser linguista em tempos queer

O ser linguista em tempos queer

preocupa-se com os processos de construção das identidades sociais, o discurso e as práticas identitárias em contextos institucionais e letramentos escolares e não-escolares como espaços de construção das identidades sociais. É autor dos livros Identidades: Recortes Multi e Interdisciplinares; Identidades Fragmentadas: a construção discursiva de raça, gênero e sexualidade na sala de aula; Discurso como espaço de construção de gênero, sexualidade, raça, idade e profissão na escola e na família; e de inúmeros artigos, tais como: Momentos queer no contexto educacional: desafios na construção de performances alternativas para os corpos; Como ser homem, heterossexual e branco na escola: posicionamentos múltiplos em narrativas orais; entre outros.