Gestão Cultural no Mercosul, Gestão Pública não Estatal e Mediação Cultural

29 05 2009

Por Juan Brizuela

No último dia do encontro ás 14,30 hs. (sala 9 da FACOM), aconteceu a mesa de trabalhos sobre Gestão, Mediação e Política Cultural. Carregada de palestrantes de excelente qualidade regional e internacional, a mesa começou com o trabalho de Selma Maria Santiago Lima (Secretaria de Cultura de Fortaleza): A gestão cultural como instrumento de desenvolvimento em Guaramiranga, Ceará. Selma ressaltou o baixo porcentagem de municípios com secretaria de cultura própria ( 4% aproximadamente) e como nas cidades pequenas com pouco desenvolvimento a gestão cultural gera um processo de transformação social importante.

Nessa mesma perspectiva as convidadas internacionais, Silvia Aballay e Carla Abendaño (CDE – Universidad Nacional de Villa María, Argentina) avaliaram os resultados de desenvolvimento cultural do programa da Universidade Nacional de Villa Maria, “Cultura para el desarrollo estratégico” (CDE).  Silvia trabalha com gestores culturais da provincia de Córdoba desde o ano 1992, procurando formar, qualificar e sensibilizar os atores culturais de diferentes municípios da região. Para as pesquisadoras cordobesas, a gestão cultural não aparece nos próprios funcionários de cultura nem prefeitos, como ferramenta de transformação e desenvolvimento local. Tampouco aparece nas campanhas políticas, nem sequer de modo instrumental. Quando aparece, só faz referencia a alta cultura ou cultura de elite.

Leia o resto deste artigo »





Plano Nacional de Cultura, Cachoeira e a TV Pública

28 05 2009

Por Juan Brizuela

A mesa de trabalhos da quinta-feira à noite (17hs. na sala 10da FACOM), foi dedicada às Políticas Culturais. As apresentações foram iniadas pelo trabalho de Paula Felix dos Reis (UFBA) com sua pesquisa sobre o Plano Nacional de Cultura (PNC) atual em comparação com o pouco conhecido documento do ano 1975, plena ditadura militar no Brasil (link presentação powerpoint). Paula ressaltou que o PNC atual, começou na câmara de deputados no ano 2000, e apenas começou a articular-se com o Ministério de Cultura a partir do ano 2003 com a gestão de Gilberto Gil.

Para a pesquisadora soteropolitana, o plano de 1975 da ditadura militar procurava centralizar e controlar, interferir quando a qualidade cultural não era a devida. Aquele utiliza a cultura num sentido mais restrito, a partir das raízes, valorizando o sincretismo e o ser brasileiro homogêneo; diferente a concepção abrangente do atual PNC. Porém, os dois planos têm preocupação pelo rol dos médios de comunicação.

Maria da Paz Rodrigues (UNEB) falou dos avanços e desarticulações nas políticas cultuais de Cachoeira. Ela destacou que aproximadamente 40% dos municípios brasileiros possuem políticas culturais. Cachoeira é para Maria um dos tristes exemplos daqueles que não tem uma política cultual estável e articulada. O município recebeu desde 1938 ajuda do IPHAN para a preservação do enorme patrimônio cultural material e inmaterial da cidade, só que também com grandes lagoas nas políticas culturais municipais. Para a pesquisadora cachoeriana, é uma forte contradição que a maior parte da verba seja para restauração, tendo muitos móveis históricos em mal estado. A pergunta da conclusão aparece como um desafio: que acontece com todas as pessoas que não tem aceso a essa verba?

Finalmente, Renata Rocha de Souza (UFBA) trabalhou a TV Pública nas políticas culturais do Brasil. Citando o pesquisador Albino Rubim, Renata reconhece nas políticas culturais relativas à TV pública no país, a existência de ausências, autoritarismo e instabilidade. Comentou que a primeira TV que nasce é comercial em 1950, depois as leis de comunicações nas décadas militareis dos 60′ até chegar a TV universitária em 1972. O fim da ditadura supõe para a pesquisadora da casa, uma forte demanda para uma TV pública com total independência do Estado. O aumento da oferta em TV pública e privada na década dos 90′, significa também um declive da audiência. Finalmente, reconhece a complexidade do termo TV pública, e a necessidade duma política de comunicação da TV com financiamento público que requerem uma forte responsabilidade em respeito à legitimidade da mesma e clareza nos objetivos.





Modernidade, Cultura e Sustentabilidade

27 05 2009

Por Geise Oliveira, Ivna Pires e Juan Brizuela

Hanayana explicando as Leis de Incentivo do estado

No dia 27 de maio, a sessão de trabalhos realizada na sala 11 da Facom-UFBA às 14:30 foi sobre Consumo, Gestão e Políticas Culturais .

Hanayana Brandão (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – Pós-Cultura da UFBA) desenvolveu o tema:  financiamento e   fomento da cultura na gestão do governador da Bahia,  Jaques Wagner. Foram trabalhados tópicos como financiamento da cultura como consequência da política cultural, a grande capacidade cultural do Brasil, a prática do clientelismo nos financiamentos, além de dados sobre a economia da cultura.  Especificamente, a palestrante discorreu sobre as formas de financiamento do estado da Bahia, como o Fazcultura, o Fundo de Cultura, Credibahia Cultural e o Carnaval Ouro Negro.

Daniele Canedo (Doutoranda do Pós-Cultura/UFBA), tratou do conceito de cultura e de sua amplitude. Durante sua apresentação foram discutidos temas comoDaniele Canedo, explicando seu objeto de pesquisa a dificuldade da utilização de um único conceito de cultura, a evolução histórica deste conceito e sua ampliação crescente. As conferências estaduais de cultura foram dimensionados e também a necessidade do Estado em trabalhar a cultura em seu conceito mais ampliado. Foi muito interessante para o debate a aparente contradição entre reconhecimento e tolerância. E uma das perguntas do público foi o significado de respeitar as diferenças.

Tânia Mara (Mestranda em Ciências Sociais/ UFBA) discorreu sobre a contradição entre sustentabilidade e o capitalismo. O sistema capitalista requer uma produção em grande escala, alimentar o consumo e o lucro, e isso vai completamente contra do respeito a natureza. Falou também sobre a importância dos ambientalistas e eco-economistas, que tentam mudar a lógica de tratar a natureza como mercadoria.

Em linhas gerais, Juciara (Doutoranda do Pós-Cultura/UFBA), tratou do movimento modernista e como ele chegou ao Brasil,  principalmente São Paulo e Rio de Janeiro e como chegou tardiamente a Salvador. Também foi abordado o papel de Anísio Teixeira em abrir caminho para a experiência modernista no Brasil.