Vestindo idéias

29 05 2009

Por Rafael Rebouças

As formas de se vestir e de se expressar  foram discutidas na mesa coordenada  “Identidade, cultura jovem e moda” na primeira sessão de trabalhos deste segundo dia de ENECULT. Ninguém estava a fim de fofoca. A discussão girou, mesmo, em torno dos estudos da moda e da representação de identidade feita a partir dos modos de vestir.

A primeira abordagem foi do Prof. Dário Brito Jr., também coordenador da mesa, que vestiu o universo jovem da necessidade de afirmação de identidade, de T-shirt -  ‘cultura materializada’. Em seguida, o Prof. Renato Celestino Guedes trouxe a história da moda associada à figura de Carmem Miranda, ressaltando a importância da artista luso-brasileira para a imagem do país no exterior, sobretudo nos EUA, onde fez mais sucesso com sua imagem ’tipicamente’ brasileira. Para o professor, seu trabalho enquanto estilista e criadora de moda devem ser observados para além da personagem carnavalesca em que foi transformada.

Entrando no universo jovem, porém sob outra abordagem, Rodrigo Oliveira e Idalina Borghi colocam o universo sociocultural dos jovens e sua representação social e midiática em questão. Rodrigo, em sua pesquisa, realizada numa determinada rgião e contexto social, problematiza a identificação dos jovens com suas representações midiáticas – a novela Malhação, exibida pela rede Globo desde 1995 , e a novela Rebeldes – exibida pelo canal SBT. Idalina aponta a globalização enquanto possibilidade de expansão do universo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, limitadora, ao passo que existem jovens de diferentes classes sociais, ‘sem condições básicas de sobrevivência’ que ficam à margem deste processo.

Finalizando a mesa, a professora Maria Eduarda retoma o tema Moda fazendo uma relação da moda e a representação social e o consumo que surge a partir dela. Os ouvintes da mesa participaram nos intervalos das apresentações com dúvidas e opiniões a respeito do tema.

Sala 02 – FaCom – UFBA
Mesa coordenada: Identidade, cultura jovem e moda
Participantes:
- Dário Brito Rocha Jr. (coordenador) – “T-shirt como suporte de idéias da juventude: O engajamento num cenário onde o palco é a rua”
- Rodrigo Bonfim Oliveira – “As representações identitárias e as ficções seriadas juvenis no sul da Bahia – entre o RBD e o Malhação”
- Idalina Souza Mascarenhas Borghi – “Sociedade globalizada – Implicações sociais e culturais para a inserção social dos jovens do EJA”
- Maria Eduarda Araújo Guimarães – “A moda e a rua – A expressão das identidades mediadas pelo consumo”
- Renato Celestino Guedes – “Moda na década de 40 – A perfomance de carmem Miranda”

Assista uma gravação da Professora Maria Eduarda, quando interpelada pela importância da discussão realizada ali.





Música e Identidade

27 05 2009
(da esq. pra dir.) Adriana Facina, Carlos Bonfim, Vinicius Souza)

(da esq. pra dir.) Adriana Facina, Carlos Bonfim, Vinicius Souza)

Por Ana Paula Pereira e Windson Souza

Chegou ao fim agora há pouco na sala 2 da Facom – UFBA a sessão de trabalhos “Música e Identidade”, a qual participaram a antropóloga Adriana Facina, o aluno do programa disciplinar de cultura e sociedade Vinicius Souza e a mesa foi coordenada por Carlos Bonfim, que também fez uma apresentação.

Adriana Facina, coordenadora do grupo de pesquisa Observatório da Indústria Cultural na Universidade Federal Fluminense, iniciou a sessão apresentando seus estudos sobre o funk carioca, alternando as referências a este tanto como ritmo quanto como gênero. Adriana destacou as críticas contra o funk, a primeira defende que o funk não é música, mas que trabalha como registro de cópia, desqualificando-o esteticamente. A segunda ela classificou como “demonização” do funk, que é a prática de liga-lo com a violência. Adriana criticou as várias maneiras de discriminação contra este gênero. A música “Não me bate doutor“, funk com forte apelo contra a criminalização e que dá nome ao trabalho da antrópologa, concluiu a apresentação do seu trabalho.

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Queer o ENECULT!

25 05 2009

Por Maycon Lopes

Não nos resta dúvida de que uma das mesas mais aguardadas do V ENECULT acontecerá no último dia do evento, quando então traremos à tona as interseções ‘Cultura, Gênero e Sexualidade’, a serem discutidas pelos/as renomados/as pesquisadores/as Guacira Lopes Louro (UFRGS), Larissa Pelúcio (UNICAMP) e Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ).

Corpo Estranho: uma esclarecedora leitura preliminar (ou não) sobre a teoria queer

Corpo Estranho: uma esclarecedora leitura preliminar (ou não) sobre a teoria queer

Guacira Lopes Louro é doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, aposentada como professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, continua atuando como pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma universidade. Fundadora do GEERGE – Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero, da UFRGS, Guacira possui ampla intimidade com os Estudos Culturais. Aliás, não é à toa que traduziu para o português, pela DP&A, juntamente com Tomaz Tadeu da Silva, a obra do jamaicano Stuart Hall intitulada The Question of cultural identity (A identidade cultural na pós-modernidade). Diga-se de passagem, com considerável prestígio nos – assim chamados – queer studies, dentre os livros da sua autoria, destacam-se: Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista; Currículo, gênero e sexualidade; Um corpo estranho: ensaio sobre sexualidade e teoria queer; a organização de O corpo educado: pedagogias da sexualidade.

A outra pesquisadora que integrará a Mesa chama-se Larissa Pelúcio, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da UNICAMP, e uma

Pelúcio, a antropóloga do mundo-T

Pelúcio, a antropóloga do mundo-T

das  líderes do grupo de pesquisa Corpo, Identidades e Subjetivações, da UFSCAR. Estudiosa em travestilidades, atualmente realiza pesquisa de pós-doutoramento a respeito de travestis brasileiras no mercado transnacional do sexo.  Dentre as suas principais publicações, vale destacar:  Nos nervos, na carne, na pele: uma etnografia sobre prostituição travesti e o modelo preventivo de AIDS (tese); Toda Quebrada na Plástica: Corporalidade e construção de gênero entre travestis paulistas; Três Casamentos e Algumas Reflexões: nota sobre conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem; Sexualidade, gênero e masculinidade no mundo dos T-lovers.

Luiz Paulo da Moita Lopes, que também estará conosco nesse “queer o ENECULT!”, é PhD em Linguística Aplicada pela Universidade de Londres, Professor Titular do Programa Interdisciplinar em Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do CNPq. Moita Lopes

O ser linguista em tempos queer

O ser linguista em tempos queer

preocupa-se com os processos de construção das identidades sociais, o discurso e as práticas identitárias em contextos institucionais e letramentos escolares e não-escolares como espaços de construção das identidades sociais. É autor dos livros Identidades: Recortes Multi e Interdisciplinares; Identidades Fragmentadas: a construção discursiva de raça, gênero e sexualidade na sala de aula; Discurso como espaço de construção de gênero, sexualidade, raça, idade e profissão na escola e na família; e de inúmeros artigos, tais como: Momentos queer no contexto educacional: desafios na construção de performances alternativas para os corpos; Como ser homem, heterossexual e branco na escola: posicionamentos múltiplos em narrativas orais; entre outros.