Guacira e os sujeitos impensáveis

4 06 2009

por Maycon Lopes

Disponibilizamos abaixo dois trechos da palestra proferida pela Profa. Dra. Guacira Lopes Louro (UFRGS), que expôs, na Mesa Cultura, Gênero e Sexualidade o cerne, por assim dizer, da teoria queer, a começar pela máxima da filósofa Judith Butler: “discursos habitam corpos”.





Mesa-coordenada Telenovelas e universo LGBT

2 06 2009

por Maycon Lopes

Para quem não teve oportunidade de acompanhar, ou mesmo para quem deseja rever, segue abaixo curtos trechos da mesa-coordenada Telenovelas e universo LGBT, proposta pelo grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), liderado pelo Prof. Dr. Leandro Colling (IHAC/UFBA).

No primeiro vídeo, Marcelo Lima nos fala a respeito da utitilização da terminologia “queer” pela teoria, a fim de, politicamente, resignificar o seu sentido originário.

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Sobre a teoria queer

29 05 2009

Questiona Luis Paulo da Moita Lopes – “Não seria essa uma articulação teórica que nos levaria a politizar a vida social, nos permitindo pensar em novas sociabilidades?”





Ser queer é uma posição política?

29 05 2009

Por Maycon Lopes e Rafael Rebouças

A representação social da homossexualidade nas telenovelas da Rede Globo foi a abordagem da mesa-coordenada do grupo de pesquisa CUS – Cultura e Sexualidade, liderado pelo Prof. Dr. Leandro Colling (IHAC/UFBA), vice-coordenador do CULT. A Mesa aconteceu ontem, às 14:30h na Facom. Em meio à apresentação de substantivos conceitos, em diálogo com estudiosos/as que teorizam não somente as margens, como a própria norma, urgia a primeira questão — que até daria um enigmático jogo de curtas palavras: que é queer? Coube a Marcelo Lima, integrante da Mesa, a tarefa de tentar responder à essa, nós diríamos, incitação. Queer, nos EUA, é um modo de apontar, verbal e ofensivamente, a quem no Brasil chamam(os) de viado, bicha, sapatona. Na tradução literal para o português, queer é nada menos que estranho. E é justamente essa condição de estranheza e diferença que é prezada, no âmago da política queer, como a reapropiação positiva do termo, ou do ser.

Após as apresentações dos integrantes da Mesa, deu-se aberto o debate. Os presentes contribuíram com perguntas, opiniões e outras observações. Fora problematizada uma categoria de resultado da metodologia utilizada pelo grupo para a análise nas telenovelas, que aponta, dentre outras possíveis conclusões, a humanização das personagens homossexuais, este foi, sem dúvida, a questão central da discussão. O que grupo entende por humanização? O professor Leandro Colling fez questão de frisar que esta não está associada à carga de bom-mocismo que pesa sobre ela, e que, portanto, humanizar ou não uma personagem parte sobretudo de uma questão: é mesmo possível existir alguém assim? Além disso, o integrante João Araújo afirmou que não há intenção em elaborar um receituário para a teleficção, embora essa categoria da “humanização” presente na metodologia revele uma preocupação do grupo com o respeito à diversidade sexual, e o que o consumo cultural pode desempenhar nesse processo. A pergunta levantada pelo público reflete também a crescente cobrança para que a academia assuma uma posição política, como se fosse mesmo possível a existência de uma teoria para além da realidade.

Sala 03 – FaCom
Mesa coordenada: Telenovela, gênero e universo LGBT
Participantes:
- Marcelo Lima (coordenador) – “Mr. Nice Gay – A análise do personagem Adamastor na novela Pedra Sobre Pedra”
- Tiago Santos de Santana – “O triunfo da sensibilidade: A representação da homossexualidade feminina em A Favorita”
- João Eduardo Silva de Araújo -  “Até que nem tanto esotérico assim – Representação da homossexualidadeem Suave Veneno”
- Júlio César Sanches – “Gay, bi ou hetero (normativo)? – A homossexualidade masculina na novela A Favorita”





Queer o ENECULT!

25 05 2009

Por Maycon Lopes

Não nos resta dúvida de que uma das mesas mais aguardadas do V ENECULT acontecerá no último dia do evento, quando então traremos à tona as interseções ‘Cultura, Gênero e Sexualidade’, a serem discutidas pelos/as renomados/as pesquisadores/as Guacira Lopes Louro (UFRGS), Larissa Pelúcio (UNICAMP) e Luiz Paulo da Moita Lopes (UFRJ).

Corpo Estranho: uma esclarecedora leitura preliminar (ou não) sobre a teoria queer

Corpo Estranho: uma esclarecedora leitura preliminar (ou não) sobre a teoria queer

Guacira Lopes Louro é doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas, aposentada como professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, continua atuando como pesquisadora e professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da mesma universidade. Fundadora do GEERGE – Grupo de Estudos de Educação e Relações de Gênero, da UFRGS, Guacira possui ampla intimidade com os Estudos Culturais. Aliás, não é à toa que traduziu para o português, pela DP&A, juntamente com Tomaz Tadeu da Silva, a obra do jamaicano Stuart Hall intitulada The Question of cultural identity (A identidade cultural na pós-modernidade). Diga-se de passagem, com considerável prestígio nos – assim chamados – queer studies, dentre os livros da sua autoria, destacam-se: Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista; Currículo, gênero e sexualidade; Um corpo estranho: ensaio sobre sexualidade e teoria queer; a organização de O corpo educado: pedagogias da sexualidade.

A outra pesquisadora que integrará a Mesa chama-se Larissa Pelúcio, doutora em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu, da UNICAMP, e uma

Pelúcio, a antropóloga do mundo-T

Pelúcio, a antropóloga do mundo-T

das  líderes do grupo de pesquisa Corpo, Identidades e Subjetivações, da UFSCAR. Estudiosa em travestilidades, atualmente realiza pesquisa de pós-doutoramento a respeito de travestis brasileiras no mercado transnacional do sexo.  Dentre as suas principais publicações, vale destacar:  Nos nervos, na carne, na pele: uma etnografia sobre prostituição travesti e o modelo preventivo de AIDS (tese); Toda Quebrada na Plástica: Corporalidade e construção de gênero entre travestis paulistas; Três Casamentos e Algumas Reflexões: nota sobre conjugalidade envolvendo travestis que se prostituem; Sexualidade, gênero e masculinidade no mundo dos T-lovers.

Luiz Paulo da Moita Lopes, que também estará conosco nesse “queer o ENECULT!”, é PhD em Linguística Aplicada pela Universidade de Londres, Professor Titular do Programa Interdisciplinar em Linguística Aplicada da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do CNPq. Moita Lopes

O ser linguista em tempos queer

O ser linguista em tempos queer

preocupa-se com os processos de construção das identidades sociais, o discurso e as práticas identitárias em contextos institucionais e letramentos escolares e não-escolares como espaços de construção das identidades sociais. É autor dos livros Identidades: Recortes Multi e Interdisciplinares; Identidades Fragmentadas: a construção discursiva de raça, gênero e sexualidade na sala de aula; Discurso como espaço de construção de gênero, sexualidade, raça, idade e profissão na escola e na família; e de inúmeros artigos, tais como: Momentos queer no contexto educacional: desafios na construção de performances alternativas para os corpos; Como ser homem, heterossexual e branco na escola: posicionamentos múltiplos em narrativas orais; entre outros.