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Música e Identidade

27/05/2009
(da esq. pra dir.) Adriana Facina, Carlos Bonfim, Vinicius Souza)

(da esq. pra dir.) Adriana Facina, Carlos Bonfim, Vinicius Souza)

Por Ana Paula Pereira e Windson Souza

Chegou ao fim agora há pouco na sala 2 da Facom – UFBA a sessão de trabalhos “Música e Identidade”, a qual participaram a antropóloga Adriana Facina, o aluno do programa disciplinar de cultura e sociedade Vinicius Souza e a mesa foi coordenada por Carlos Bonfim, que também fez uma apresentação.

Adriana Facina, coordenadora do grupo de pesquisa Observatório da Indústria Cultural na Universidade Federal Fluminense, iniciou a sessão apresentando seus estudos sobre o funk carioca, alternando as referências a este tanto como ritmo quanto como gênero. Adriana destacou as críticas contra o funk, a primeira defende que o funk não é música, mas que trabalha como registro de cópia, desqualificando-o esteticamente. A segunda ela classificou como “demonização” do funk, que é a prática de liga-lo com a violência. Adriana criticou as várias maneiras de discriminação contra este gênero. A música “Não me bate doutor“, funk com forte apelo contra a criminalização e que dá nome ao trabalho da antrópologa, concluiu a apresentação do seu trabalho.

Após Adriana, foi a vez de Vinicius Souza, formado pela UFS, apresentar seu trabalho sobre a resistência da música brega. Em sua exposição, Vinicius buscou trazer um pouco do fluxo da música brega dos anos 70 para cá, e mostrou que até hoje o “jogo do poder” é ainda evidente, neste jogo o brega é caracterizado como algo de mal gosto por não se inserir no que uma elite classifica como “música de qualidade”, devido isso muitos dos próprios artistas recusam receber a denominação. O brega encontra sua resistência dentro das esferas populares, mas é levado mais como uma brincadeira ou diversão do que como uma forma de representatividade.

Por último, Carlos Bonfim, que coordenava a sessão, expôs o seu estudo sobre a recorrência aos tributos musicais, que ele entende como “procedimentos tipicamente pós-modernos; resgate de artistas e repertórios”. Para Carlos a música pode ser compreendida como um espelho do que somos hoje e como uma profecia de como estaremos no futuro, os tributos evocam a memória coletiva e surgem para dar conta de uma história feita de omissões e preconceitos.

Após a apresentação dos trabalhos  abriu-se uma discussão sobre gêneros  musicais e cultura popular com participação da audiência, analisou-se também o lugar da música brega dentro da MPB e a maioria concordou que o que se chama “música popular brasileira” se tornou algo um tanto elitista que exclui tendências contrárias ao que se entende por essa denominação, porém foi notado que os gêneros se misturam tanto que por várias vezes essa intereção passa despercebida. Para entendor melhor essa questão Carlos Bonfim sugeriu o livro Que Tchan é Esse? Indústria e Produção musical no Brasil dos anos 90 , de Mônica Neves Leme, e seu site, para saber um pouco mais do seu estudo.

Dia e Horário: 27/05, às 14:30h
Sala: 2
Nome da mesa: Música e Identidade
Autores e trabalhos:
Adriana Facina (UFF) – “Não me bate, doutor”: Funk e criminalização da pobreza
Vinícius Souza (UFBA) – A existência inexistente da música brega
Carlos Bonfim (UFBA) – Eu não sou cachorro, mesmo: Música popular urbana, culturas juvenis e identidade cultural

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