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Ser queer é uma posição política?

29/05/2009

Por Maycon Lopes e Rafael Rebouças

A representação social da homossexualidade nas telenovelas da Rede Globo foi a abordagem da mesa-coordenada do grupo de pesquisa CUS – Cultura e Sexualidade, liderado pelo Prof. Dr. Leandro Colling (IHAC/UFBA), vice-coordenador do CULT. A Mesa aconteceu ontem, às 14:30h na Facom. Em meio à apresentação de substantivos conceitos, em diálogo com estudiosos/as que teorizam não somente as margens, como a própria norma, urgia a primeira questão — que até daria um enigmático jogo de curtas palavras: que é queer? Coube a Marcelo Lima, integrante da Mesa, a tarefa de tentar responder à essa, nós diríamos, incitação. Queer, nos EUA, é um modo de apontar, verbal e ofensivamente, a quem no Brasil chamam(os) de viado, bicha, sapatona. Na tradução literal para o português, queer é nada menos que estranho. E é justamente essa condição de estranheza e diferença que é prezada, no âmago da política queer, como a reapropiação positiva do termo, ou do ser.

Após as apresentações dos integrantes da Mesa, deu-se aberto o debate. Os presentes contribuíram com perguntas, opiniões e outras observações. Fora problematizada uma categoria de resultado da metodologia utilizada pelo grupo para a análise nas telenovelas, que aponta, dentre outras possíveis conclusões, a humanização das personagens homossexuais, este foi, sem dúvida, a questão central da discussão. O que grupo entende por humanização? O professor Leandro Colling fez questão de frisar que esta não está associada à carga de bom-mocismo que pesa sobre ela, e que, portanto, humanizar ou não uma personagem parte sobretudo de uma questão: é mesmo possível existir alguém assim? Além disso, o integrante João Araújo afirmou que não há intenção em elaborar um receituário para a teleficção, embora essa categoria da “humanização” presente na metodologia revele uma preocupação do grupo com o respeito à diversidade sexual, e o que o consumo cultural pode desempenhar nesse processo. A pergunta levantada pelo público reflete também a crescente cobrança para que a academia assuma uma posição política, como se fosse mesmo possível a existência de uma teoria para além da realidade.

Sala 03 – Facom
Mesa coordenada: Telenovela, gênero e universo LGBT
Participantes:
– Marcelo Lima (coordenador) – “Mr. Nice Gay – A análise do personagem Adamastor na novela Pedra Sobre Pedra”
– Tiago Santos de Santana – “O triunfo da sensibilidade: A representação da homossexualidade feminina em A Favorita”
– João Eduardo Silva de Araújo –  “Até que nem tanto esotérico assim – Representação da homossexualidadeem Suave Veneno”
– Júlio César Sanches – “Gay, bi ou hetero (normativo)? – A homossexualidade masculina na novela A Favorita”

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