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Performance, espaços gays e afirmação do gênero: uma conversa aguçadora

26/05/2010

Muitas discussões aqueceram o final da sessão de trabalho Sexualidade e Territorialidade que aconteceu na sala 17 da Faculdade de Comunicação (Facom), das 17h às 19h. Inicialmente, foram apresentadas as pesquisas de Helder Maia (Ufba), Érico S. do Nascimento, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), e Júlio Sanches, da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).

Antes de efervescer os debates, Helder Maia nos apresentou sua pesquisa que traz uma análise dos corriqueiros, mas não imperceptíveis recados – na sua maioria, pornográficos – deixados nos banheiros masculinos da Ufba. Esta pesquisa, segundo ele, surgiu como uma experimentação, uma inquietação, já que a temática foge um pouco da área de Letras, seu campo de atuação. De acordo com o pesquisador, através dos recados nos banheiros, há uma forma de uma masculinidade que quer ser afirmada.

Seguindo a temática da Sexualidade, mas partindo para a análise dos espaços homossexuais em Salvador, Érico Nascimento discursou sobre sua pesquisa realizada a partir de um mapeamento de dados – primeiramente em sites LGBT e, posteriormente, em pesquisas de campo – e através também da definição concebida por alguns pensadores sobre manchas (onde há oferta de serviços como café, hotéis, lojas, etc., espaços onde alguns gays frequentam) e concepção de gueto. Analisando esses dados, ele questionou: “Há uma gueto gay em Salvador?”

Para responder a isso, Nascimento mapeou áreas como a Barra, Campo Grande e Praia dos Artistas, localizada na Boca do Rio. Também fizeram parte do universo da pesquisa, o Beco dos Artistas, a rua da Boate Clube (próximo ao Aeroclube) e algumas saunas no centro da cidade. A partir disto, o autor percebeu, dentre outras coisas, que em alguns lugares frequentados por gays não há moradias fixas usadas pelos indivíduos deste grupo, por isso esses espaços não poderiam ser chamados de guetos.

As discussões da tarde findaram-se na apresentação de Júlio Sanches sobre a performance de uma travesti em Cachoeira, no Recôncavo baiano. Depois de assistir a apresentação de uma fanfarra na cidade e a baliza (pessoa que conduz o grupo, fazendo acrobacias e danças como uma espécie de vareta) travesti, de pseudônimo Pâmela, Sanches começou, a partir de algumas reflexões, a levantar a ideia de que sexo é diferente de gênero. No caso da travesti Pâmela, foi necessário que ela teatralizasse, como performance, o seu gênero para demonstrar que este não é aquele que foi predefinido pelo seu sexo e pela sociedade. “Nota-se aí uma lógica de espetáculo para o gênero: parodia-se uma lógica estabelecida para se revelar o real eu”, conclui o pesquisador.

Dia:  25 de maio

Horário: 16h:30

Mesa: Sexualidade e Territorialidade

Participantes: Helder Maia, Érico S. do Nascimento e Júlio Sanches

Por: Álvaro

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