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Cultura e Violência: a juventude na sociedade contemporânea

27/05/2010

Na manhã dessa quinta-feira, 27 de maio, o Enecult deu continuidade às suas atividades, com a sua terceira palestra, que foi realizada no Salão Nobre da Reitoria da Ufba, e que teve como tema “Cultura e Violência”.

Essa conferência teve como coordenador Eduardo Leal Cunha, professor adjunto do Departamento de Psicologia e do Núcleo de Pós-Graduação em Psicologia Social da Universidade Federal de Sergipe, e como palestrante Joel Birman, professor adjunto do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Joel Birman durante palestra na reitoria

Ao longo de sua apresentação, Joel Birman apresentou a relação entre os conceitos de juventude, condição adolescente, e violência. Salientando que, ao contrário do que perpassa o imaginário popular, o conceito de juventude é diferente do de condição adolescente.

Essa superposição de conceitos é fruto de uma relação histórica feita no século XIX, e que tem a sua origem na teoria das idades da vida, uma construção biopolítica, centrada na questão da reprodução e que perdurou por muito tempo na sociedade, até meados dos anos 70.

Birman destaca ainda o surgimento da crise desse modelo, que é uma conseqüência direta das alterações na família burguesa, do século XX, e das alterações econômicas a partir das construções do modelo neoliberal.

O surgimento da crise desse modelo, por sua vez, propiciou o surgimento de inúmeras críticas sobre a similitude entre juventude e condição adolescente, que se baseavam em três vertentes: uma nos pensamentos de Freud, com a existência da sexualidade infantil, e a idéia de que o fato de o indivíduo ser púbere, não lhe garantia ser adolescente, pois a produção de hormônios não lhe confere a adolescência; a outra baseada na concepção de que a infância e a adolescência são construções históricas; e por fim, a crítica genealógica, baseada na concepção biopolítica de Michel Foucault.

As mulheres foram e os homens não voltaram – Joel Birman

Essa diferenciação entre os conceitos de juventude e de condição adolescente, juntamente com a explanação sobre a “cultura da experiência” (a experimentação de si e da vida estende-se para várias fases da vida), foi fundamental para a posterior análise do incremento da violência na sociedade por parte dos jovens.

Birman destaca que se em outros tempos, a violência estava ligada principalmente às classes sociais mais populares, devido a falta de um horizonte de inserção social, atualmente a violência aparece ostensivamente nas classes médias e nas elites, conseqüência de uma subjetivação violenta. E que dentre os principais grupos que sofrem com as conseqüências dessa violência estão os índios, os homossexuais, os mendigos e as prostitutas, por demonstrarem fragilidade e representarem signos de decadência social.

O conferencista destaca ainda que todo esse processo é decorrente da carência de reconhecimento simbólico da juventude, que gera a criação, por parte destes, de mecanismos para dissimularem o poder nas sociedades organizadas.  A alteração da família nuclear burguesa, a partir do movimento feminista e do divórcio, faz com que “as crianças fiquem no ar”, e gera uma institucionalização da função materna por parte da escola, que agora terá de desempenhar a socialização primária e secundária do indivíduo, garantindo assim um novo formato de família.

Por fim, Joel Birman comenta sobre a necessidade do indivíduo em reconhecer a sua existência na sociedade.

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