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Representação e encenação fazem parte de debate de Mesa Coordenada do Enecult

08/08/2012

Coordenada pela professora Cássia Lopes, a mesa ” História em cena: Memória e inscrições no corpo, na dramaturgia e na construção biográfica” foi tema de discussão no primeiro dia do Enecult, às 14h3o, no auditório do PAF III.  O debate contou ainda com a participação da doutora Cleise Furtado Mendes (UFBA), da Prof. Maria Antônia Ramos Coutinho (Uneb) e de Raimundo Matos de Leão, doutor em Artes Cênicas (UFBA).

As pesquisas apresentadas tiveram como base central questões referentes à dramaturgia, desde seu surgimento até atualidade. A doutora e membro da Academia de Letras da Bahia, Cleise Furtado Mendes colocou em debate a questão da história do drama como representação de nossas paixões a partir da caracterização de comportamentos, reações e também de leituras dos estudos de Freud. Nesse enfoque, ela salienta a necessidade que temos de compreender as paixões humanas, desejo esse que ocupou e ainda ocupa boa parte dos pensamento contemporâneos.

A forma como o drama se constitui também foi colocada em debate por Cleise Furtado, pois para ela é parte importante da “arena das paixões”, fazendo com que os personagens ao serem construídos e caracterizados assimilem códigos culturais da época e contexto em que se inserem. Partindo também dessa perspectiva,  Maria Antônia Ramos Coutinho tratou da questão do ato comunicativo, fazendo uma reflexão sobre a disposição corporal de quem conta a história, que precisa assumir uma postura equilibrada, sem excessos que prejudique o personagem e que possa caricaturar sua apresentação.

Desse ponto, Maria Antônia faz um parêntese sobre a diferença entre a arte de contar histórias e a arte de teatralizar, onde a primeira pode ser compreendida como uma ponte entre o mundo real e o mundo ficcional, e a segunda requer dramatização nos gestos e performances que eles desempenham. Diante desse novo contexto, a pesquisadora faz uma crítica ao desaparecimento do conto tradicional, diante da proliferação dos grupos de contadores de histórias, que, para ela, deixa um vazio diante da sociedade que busca cada vez mais a espetacularização.

Por fim, o palestrante Raimundo Matos de Leão debateu sobre a questão dos processos de apagamento cultural, mais precisamente no caso do texto Roda Viva (1968), de Chico Buarque, o qual foi impedido de ser publicado ou encenado. Para isso, Raimundo propôs uma volta ao passado, pois para ele essas obras constituem um legado, espelhando a cultura da época e seu tempo de produção. Dessa forma, a ação de vetar sua publicação, para Matos, impede que o seu texto seja apreciado criticamente, como mecanismo de apontar deficiências de produção textual e de trazer polêmicas com relação à crítica e ao público, mesmo tendo sido um acontecimento estético e político bem sucedido, na época.

Após suas apresentações, a coordenadora Cássia Lopes abriu a discussão para o público, que participou fazendo questionamentos sobre as apresentações. O debate foi envolvido pela questão da montagem e remontagem de textos que possibilita ou não a sua revisitação de forma criativa.  Raimundo Leão afirmo que era necessário mais tempo para discutir questões tão complexas.

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