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Mesa coordenada estimula debate sobre Cultura e controle social

09/08/2012

“Cultura e controle social” foi o tema norteador das discussões do eixo temático “Cultura, Cidades e Territórios” neste segundo dia de programação do VIII Enecult. As apresentações foram realizadas, às 14h, na sala de videoconferência, no PAF III, em Ondina. A coordenação ficou por conta da professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Adriana Facina, que dividiu a mesa com Abel Luiz, Pâmella Passos e Carolina Morais.

O geógrafo e também especialista na promoção da saúde, Abel Luiz, trouxe questionamentos sobre o paradoxo existente entre as políticas de choque de ordem e a promoção da saúde. Ele fez essa relação através da análise do caso de Zé da Árvore, um homem que morava em uma árvore no bairro Encantado, no Rio de Janeiro. “Ele é morador de rua ou morador da cidade?”, provocou Abel Luiz, levando o público a refletir sobre o estabelecimento de fronteiras na cidade e a importância de se viver o “espírito da cidade”.

Abel Luiz apresenta o caso Zé da Árvore

“É muito mais fácil dizer que o problema é o morador de rua do que questionar o prefeito da cidade”, desabafa Abel, relatando como terminou a história de Zé da Árvore, que morreu de câncer após ter tido atendimento negado pelo médico, o qual estaria com nojo de examiná-lo devido à sujeira do morador da árvore. Abel defende, ainda, que o choque de ordem é hiperautoritário ao reforçar a ideia de que é possível “limpar” a cidade, no sentido de limpeza ética, e critica tais políticas que se propõem a fazer algo tão diferente, mas acabam recorrendo aos mesmos erros. A apresentação foi encerrada com a exibição do filme “Acolhimento sim, recolhimento não”, realizado por funcionários e pacientes do Centro de Atenção Psicossocial Clarice Lispector, no Rio de Janeiro, em homenagem ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, comemorado no dia 18 de maio.

Em seguida, a doutoranda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Pâmella Passos, deu continuidade às discussões da mesa com o trabalho “Tá dominado! Tá tudo dominado! A lan house como dispositivo de análise da política de segurança carioca”. Através de entrevistas realizadas com moradores da favela do Acari e do Morro Santa Marta, no Rio de Janeiro, Pâmella alertou para a pacificação, sobretudo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), como uma das formas de controle social. “A ideia é discutir, a partir da perspectiva da Cultura, como a sociedade é cada vez mais apontada para o controle social”, contou Pâmella, explicando que sua intenção é pensar a internet não apenas como meio, mas também a partir das suas mediações.

Por fim, Adriana Facina e Carolina Morais apresentaram o trabalho realizado em conjunto com Daniel Filippini “É isso Cultura?: Violência simbólica, território e valores culturais no discurso de uma ONG30”. Adriana e Carolina criticaram a visão hegemônica do que é Cultura, reforçada pela mídia e pelo Estado e destacaram a existência da violência física, através do choque de ordem e da violência simbólica no contexto de criminalização da pobreza e formalização do que é considerado informal.

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