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Sessão de trabalho discute Cultura Digital, Direitos Autorais e Culturais

10/08/2012

A última sessão de trabalho do eixo Cultura Digital, Direitos Autorais e Culturais foi apresentada nesta sexta-feira (10/08) no VIII Enecult. Os quatro participantes enfocaram diferentes perspectivas sobre o tema, falando da relação entre cultura popular e cultura digital, digitalização musical e entraves burocráticos ao pleno exercício dos direitos culturais.

Marcella Alencar graduada em Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), aborda em seu trabalho a relação entre a poesia matuta e a internet, uma vez que o  texto matuto é marcado pela oralidade. A literatura de cordel e os cantadores de viola representam esta modalidade”, afirma. “Esse tipo de texto é a voz de uma população silenciada, uma cultura contra-hegemônica. Através do levantamento de dados do poeta paraibano Zé da Luz, por meio de buscadores virtuais e do Youtube, verificou-se a presença efetiva da poesia matuta na web. “A cultura digital é aliada da cultura popular, o que reforça a ideia do ativismo midiático. O projeto vai continuar levantando dados de poetas que, apesar da idade avançada, ainda são desconhecidos pelo público”, ressaltou Alencar.

Lia Baron, doutoranda em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), falou do papel da digitalização no processo de criação coletiva, tomando como objeto o mercado musical. A pesquisadora apresenta os coletivos musicais como parte de um movimento contemporâneo marcado pela relação não hierárquica entre os membros e a divisão dos lucros de modo igualitário. “Os Novos Baianos poderiam ser considerados um coletivo. Enquanto o grupo levantava a bandeira da contracultura, os músicos de hoje não, eles se uniram para conformar um novo método de produção, de caráter cooperativo, mas que não está ao revés do capitalismo”, pontua.

Fabíola Bezerra, mestre em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR), abordou a questão dos direitos culturais, já discutida na mesa de abertura do VIII Enecult. Bezerra refletiu sobre a estrutura e funcionamento do Fundo Nacional da Cultura (FNC) e sua compatibilização com os princípios constitucionais de acesso à cultura. “O FNC ficou responsável por fomentar os setores que menos interessam ao mercado, mas ele realmente atende essa função?”, sela questiona. O trabalho verificou que o FNC possui muitos recursos financeiros, mas o acesso a eles é dificultado. “É necessário que haja critérios, mas os atuais são muitos rígidos e devem ser flexibilizados no sentido de permitir o acesso do maior número de pessoas”, concluiu.

Adriano Belisário, graduado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicitou o significado do termo cultura digital, que passou a ser muito utilizado a partir da gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura (MinC). Belisário aponta que diversas pesquisas demonstram que o conceito é usado de forma vaga. “Mais adequado é pensar em várias culturas digitais e não em apenas uma, pois os tipos de uso que fazemos são vários. Para o meu trabalho, considero por cultura digital está interligada as práticas colaborativas que fazem uso de tecnologias livres”, indica. Segundo o pesquisador, esta definição foi utilizada pelo MinC na formulação dos Pontos de Cultura, programa federal que não é visto como prioridade pelo governo atual.

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