Certificados
As listas de presença do VII ENECULT estão sendo organizadas e os certificados estarão disponíveis no sistema do evento até o dia 31 de agosto. Divulgaremos essa informação assim que todos os certificados estiverem online. Para imprimir o documento a partir desta data, todos os participantes devem acessar o sistema (www.enecult.ufba.br) e depois clicar no link Certificados.
Atenciosamente,
Equipe de produção do VII Enecult
Hoje, a mesa Religiões e contemporaneidade foi iniciada com a exposição de Daniele Evangelista sobre o funk gospel e as transformações no meio evangélico. A autora considerou o funk gospel como um movimento não consensual no meio evangélico. Segundo a pesquisadora, a comunidade evangélica é formado por segmentos heterogêneos e as suas transformações são marcadas mais pela tensão do que pelo consenso.
Em seguida, Gisele Cardoso de Lemos abordou o domínio do espiritual na literatura Indiana Pós-colonial. Lemos destacou na sua exposição a criatividade da literatura indiana que é, ao mesmo tempo, “agregacionista e inclusivista”, pois consegue reunir ao aporte teórico europeu as suas tradições e raízes.
Gérsica Sanches apresentou o trabalho “Dom Timóteo Amoroso: Um discurso dissonante na Ditadura Militar”. Sua pesquisa teve como principal objetivo compreender através de elementos lingüístico-discursivos como se apresenta o pensamento político-humanitário de D. Timóteo em seus textos religiosos. A autora afirmou que tal discurso direcionava-se no sentido de convencer os seus fiéis contra o regime autoritário em questão.
Por último, John Dawsey apresentou uma etnografia sobre o Rito de Passagem de Nossa Senhora. Para o autor, elementos presentes na festa, à exemplo da catedral e do parque de diversões, aparentemente separados, eram vistos pelos fiéis como indissociáveis.
A mesa coordenada “Tropicalismo” rememorou e discutiu o frisson do maior movimento contracultural do Brasil. Os palestrantes Rafael Noleto, André Haudenschild e Rodrigo Cordeiro, através de diferentes enfoques, discutiram os fatores que propulsionaram este movimento, seus valores e sua estética.
Ao apresentar seu artigo, O Carnaval do desencanto: O ambivalente baile de mascaras tropicalista, André Haudenschild narrou em tons de poesia a história da tropicália. Para ele, o movimento teve os alicerces de sua estética em três trabalhos artísticos de vanguarda: a instalação “Trópicália” de Hélio Oiticica, o filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha e a peça o “O Rei da Vela” encenada pelo Grupo de Teatro Oficina. O palestrante destacou ainda o caráter alegórico que perpassou todos os trabalhos tropicalistas e a representação das tensões entre a vida e arte que passaram a ser apresentadas nas performances marcantes de seus artistas.
Para André, o tropicalismo em si foi interrompido pela prisão e extradição dos principais nomes à frente do movimento. No entanto, ele lembrou que além de continuar presente nos trabalhos de artistas como Valique Macalé e Tom Zé, a estética da tropicália permanece viva na própria cultura brasileira que se definiu tropicalista por si própria.
Meu nome é Gal: Um grito feminino no tropicalismo foi apresentado pelo músico Rafael Noleto. Durante a apresentação, Noleto fez uma análise da obra tropicalista da cantora Gal Costa, que se consagrou como uma espécie de musa da Tropicália. Para ele, o erotismo e sensualidade usados pela cantora como recurso performático funcionavam como uma forma de manifesto à favor do direito da mulher de assumir sua sexualidade e prazer.
A questão da relação da música tropicalista com o corpo também foi tema da apresentação de Rodrigo Cordeiro. O pesquisador buscou em seu trabalho evidenciar as relações físico –sentimental presentes em três das mais famosas letras do tropicalismo: “ Alegria, Alegria”, “Domingo no Parque” e “Tropicália”.
Aconteceu nesta tarde a mesa coordenada Lan Houses para quê e para quem? Um espaço e seus múltiplos usos nas periferias das cidades contemporâneas, às 16:30h, no PAF 3.
A mesa foi iniciada com a fala do professor Luiz Fernando Moncau sobre o trabalho Lan Houses: os desafios da formalização desses centros de inclusão digital. Os dados apresentados apontaram que a grande maioria das pessoas usam as Lan Houses para acessar a internet, estabelecimentos quase sempre não formalizados. O professor buscou, então, saber se a fiscalização desses locais deve ser mais rigorosa ou se a legalização deve ser facilitada.
Segundo Moncau, vários projetos de lei visam proibir ou inibir o uso das Lan Houses, apenas uma minoria vê os estabelecimentos como um espaço cultural que deve ser aproveitado. Para o pesquisador, o poder público está desinformado acerca desse viés cultural que a Lan House pode ter e da inclusão digital que ela pode proporcionar.
A segunda apresentação foi a do trabalho Juventudes na Lan House: a experiência de (re)invenção de usos em duas favelas cariocas, da pesquisadora Pâmella Passos, doutoranda da Universidade Federal Fluminense e professora do CEFET-RJ. Para a pesquisadora, a Lan House é um local de informação, cultura e educação, com público majoritariamente jovem. Ela enfatizou o uso de blogs para expressar a realidade das comunidades através desses jovens, muitas vezes não abordada pela grande mídia. O uso do twitter Voz da Favela durante a invasão do Complexo do Alemão foi citado pela pesquisadora. Na rede social, a operação foi narrada e divulgada para todo o país.
O artigo Inclusão Digital em dois planos: reflexão sobre entretimento, educação e diferença cultural, da professora e pesquisadora Carla Barros, também foi citado por Pâmella Passos. A pesquisadora falou sobre a atitude dos atendentes das Lan Houses, vistos muitas vezes como pessoas que vão “cuidar” e educar as crianças deixadas pelos pais no local. Ela destacou as vivências de aprendizados coletivos, apesar de problemas com redes sociais e uso indevido da rede. A fala foi finalizada com a idéia de entretenimento e educação como partes das mudanças sócio-culturais.
Por fim, a mesa foi aberta para o debate.
O eixo “Políticas Culturais” teve sua última mesa realizada nesta sexta-feira (05-08), das 16h30 às 18h30, no auditório do PAF 3. A temática central trabalhada foram as políticas culturais de três estados brasileiros – Bahia, Sergipe e Rio Grande do Sul -, sob a coordenação de Morgana Eneile, assessora especial da Ministra da Cultura.
Albino Rubim iniciou a mesa com a apresentação das diretrizes da Secretaria de Cultura da Bahia (SECULT-BA). O objetivo central desta Secretaria é a construção da cultura cidadã em todos os municípios baianos, afirmou Rubim. A ampliação do diálogo intercultural também foi escolhida como uma diretriz desse ente estatal, pois, é fundamental ao desenvolvimento cultural. O aprofundamento do programa de territorialização da gestão cultural do Estado é também um dos eixos centrais da proposta administrativa desta pasta estadual de cultura.
A segunda explanação ficou a cargo de Eloísa Galdino, Secretária de Cultura do Estado de Sergipe. Ela iniciou sua fala com a assertiva de que atualmente a população sergipana valoriza a política cultural do estado. Isso ocorre, segundo Galdino, a partir das políticas implementadas pelo Ministério da Cultura desde 2003. Para iniciar a política de cultura foi feito um planejamento estratégico para a pasta cultural em 2009, o qual, por sua vez, foi inserido ao Plano Plurianual do Estado. Além isso, foi feita uma discussão com artistas, produtores culturais e com a sociedade em geral sobre a situação da cultura no estado. Deste trabalho, resultou a elaboração de um Plano Estadual de Cultura para Sergipe.
Jéferson Assumção, Secretário Adjunto de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, deu continuidade à mesa. Ele falou sobre as diretrizes da política cultural desse estado. Nesse ano, foram criadas três diretorias que passaram a contemplar, deste modo, as dimensões da política cultural federal – economia da cultura, caráter simbólico da cultura e a cidadania cultural. A proposta de trabalho da Secretaria de Estado da Cultura (SEDAC-RS) é, portanto, tornar-se um instrumento de viabiliação de política pública de cultura em todo o estado riograndense. Por fim, destaca-se, em seus planos de ação, a articulação com o Mercosul Cultural, de modo especial, com a República do Uruguai.
Por último, a representante do Ministério da Cultura comentou as explanações dos três secretários e, em seguida, a palavra foi franqueada e o público fez questões aos componentes da mesa.
Sessão Cultura e Representações
Por Dalila Santos
O último dia da mesa Cultura e Representações foi coordenada pela professora Amaranta Cesar da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), que iniciou as apresentações, e buscou discutir as representações e identidades disseminadas por narrativas audiovisuais.
A sessão teve início com o trabalho Cinema africano, autorrepresentação e identidade cultural. Na exposição, a autora falou sobre a ligação entre cinema africano e as questões da representação, especialmente de grupos minoritários, com a perspectiva de retomada da identidade cultural e social africana. Os diretores dos filmes analisados, Emitai – Deus do Trovão (1971) e Bamako (2006), afirmam a necessidade dos realizadores de cinema trabalharem com as questões sociais e políticas em suas películas.
O estudantes Aline Lisboa, Andreza da Silva e Thiago de Oliveira e a professora Ana Ângela Gomes da Universidade Federal de Sergipe apresentaram o trabalho A perspectiva sócio-cultural dos Estados Unidos na década de 70 pelo filme “Os embalos de sábado à noite”. Na análise, o grupo destacou o contexto sócio-político da época, onde as ideias de coletivismo dos grupos minoritários dão lugar ao individualismo. A liberdade sexual e a indústria cultural são movimentos destacados no filme, de acordo com a pesquisa dos participantes.
Continuando a sessão, a mestranda do Programa de Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo, Mariana Marchesi, realizou a
exposição O corpo aberto da cultura: resistência e hibridação no filme Besouro. Sua metodologia de estudo incluiu a divisão da narrativa em quatro elementos: manipulação, competência, performance, e sanção. A pesquisadora destacou a presença de valores no enredo do filme e a questão do binômio opressão-resistência como elementos importantes na produção. A hibridização dos personagens Besouro e da entidade religiosa Exu é o ponto mais discutido no trabalho.
Encerrando as apresentações, Victor Ribeiro Guimarães, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Federal de Minas Gerais, discursou sobre A cultura na luta por reconhecimento: redefinições do funk numa produção audiovisual da rede jovem de cidadania. O trabalho tem como objeto o vídeo-documentário Baile Funk idealizado por dois jovens da periferia de Belo Horizonte que desejavam dar visibilidade à sua cultura e realidade. O objetivo do trabalho foi investigar a mobilização da cultura como recurso de reconhecimento.
O pesquisador revelou que os grupos culturais da periferia da capital mineira realizam uma grande mobilização cultural, mas sem visibilidade nas mídias. Foram utilizadas estratégias de construção das imagens e do discurso da produção do vídeo, como estratégia de luta por reconhecimento das pessoas que vivenciam a cultura do funk na periferia.
Sessão Políticas Públicas
“Cultura, Desenvolvimento Socioeconômico e Políticas Públicas: Uma Análise da Situação no Estado de Roraima” foi a primeira apresentação da mesa Políticas Públicas, realizada na tarde do terceiro dia do VII Enecult, no PAF 3. Elena Campo Florissi começou sua fala com o mapa de Roraima e um breve panorama da história de ocupação desse estado brasileiro.
Segundo Florissi, a cultura produzida lá possui uma característica nordestina. A pesquisadora salientou que os equipamentos culturais, como museus, cinemas e teatros, estão concentrados na cidade de Boa Vista. Ela informou que o Governo do Estado destina menos de 1% do orçamento para a cultura, e a Secretaria de Cultura em nível estadual ainda está em processo de análise para implantação.
A segunda apresentação, “O papel da cultura política externa do Governo Lula: desenvolvimento e inserção internacional”, de Aline Andrade Rocha, contemplou a relação entre cultura, desenvolvimento e diplomacia cultural nas relações internacionais. A política cultural exterior permite, segundo Andrade, o desenvolvimento social do globo.
Mannuela Ramos da Costa deu prosseguimento a sessão com a exposição do trabalho “Cinema em Pernambuco: da Iniciativa privada à política estatal”. Ela parte do princípio de que Pernambuco já tem uma tradição de produção cinematográfica. Costa disse que a participação dos governos estaduais é fundamental ao desenvolvimento da indústria audiovisual no Brasil. A expositora salientou que o estado pernambucano tem um caráter intervencionista neste setor. O exemplo citado foi a recuperação da infra-estrutura de salas de cinema históricas localizadas em municípios no interior do estado.
A última exposição foi “Indústria Audiovisual, Financiamento e Profissionalização”, executada por João Paulo Rodrigues Matta, que também coordenou a sessão. O pesquisador apresentou um balanço das iniciativas da Agência de Desenvolvimento da Bahia (Desenbahia) no tocante às políticas de financiamento à cultura. Matta destacou que, em primeiro lugar, a profissionalização é fundamental ao acesso de políticas para fomento financeiro de projetos culturais e que os recursos devem ser inseridos em toda a cadeia produtiva, da criação a distribuição. No entanto, o palestrante advogou que há uma centralidade na criação, ou melhor, na produção de conteúdo.
A sessão foi encerrada após o debate.
No último dia de realização do VII ENECULT, a mesa “Discurso, midiatização” trouxe o debate da relação da mídia com a linguagem e seus aspectos culturais populares. A sessão ocorreu na sala 9 do PAF 3 e contou com três apresentações.
A linguagem enquanto uma ferramenta de vazão de gírias e identificações foi objeto do trabalho de Ana Lucia Enne e Andressa Lacerda (UFF). “Gírias, hibridizações, negociações, negações: O discurso como objeto e lugar de disputas na arena da cultura” tematiza a gíria como um um local de resistência de grupo às culturas opressoras. Enne e Lacerda concluem que a linguagem própria é uma marcação de identidade de um grupo na medida em que a riqueza vocabular permite a quem fala um local de poder.
A sessão teve continuidade com a exposição “A violência no processo de metamorfose das torcidas de Bahia e Vitória” de Paulo Roberto Leandro (UFBA). O pesquisador trouxe um contexto histórico das torcidas de futebol mostrando um processo de crescimento da violência e de todo uma identidade cultural dessa cena. Paulo Roberto considera que a profissionalização do futebol e o interesse da imprensa pelo desporto contribuiu para um mercado de consumo do jogo. Desse modo, se estabeleceu um processo de troca baseado no interesse do jornal que quer vender e estimular a rivalidade e a torcida, que cria uma expectativa por se ver representada no jornal e (re)conhecer seus ídolos.
Os demais palestrantes não compareceram à sessão de trabalhos.
Palestra Mia Couto
Por Fernanda Polonio
No terceiro dia de Enecult, o professor Paulo Miguez apresentou a palestra do jornalista e escritor Mia Couto, enfatizando o lugar de destaque do convidado na atual literatura de língua portuguesa. Miguez relatou o período em que conviveu com a geração de Mia Couto em Moçambique e diz que todos eles podem ser chamados de ex-combatentes.
Mia Couto iniciou sua fala ressaltando a familiaridade que tem com o Brasil e apresentou seu texto, O homem que casou com a Bahia, sobre cultura e desenvolvimento. Ele afirmou que os conceitos são trabalhados de formas diferentes a depender da língua de cada região. “As palavras cultura e desenvolvimento deveriam ser faladas sempre no plural, já que cada cultura é feita de várias outras”, afirmou Mia.
Para Mia, o problema para o entendimento de um povo não é de ordem lingüística, mas de ordem funcional e lógica. Ele explicou que, em Moçambique, o futuro é visto como território sagrado e falar sobre ele é transgredir esse território dos deuses, um contraponto com uma cultura que vive de prever acontecimentos como a brasileira. Outro fato curioso é que no país africano não é permitido falar a palavra “não” e dar respostas negativas a perguntas, o que dificultou suas pesquisas. Essas histórias ilustraram as diferença entre as culturas e que seu entendimento vai além dos fatos visíveis e que são divulgados na mídia.
Mia enfatizou que temos que construir uma cultura moderna, mas costurando o passado com o presente de forma democrática. Para ele, o crescimento é algo que só pode acontecer se existir harmonia. A capacidade de escutar os outros, a capacidade de perceber o que significa o silêncio, construir vizinhos, ser feliz em circunstâncias duras, tudo isso, segundo o escritor, ensina as pessoas a perceberem a cultura através do modo de vida de seu povo. Mia Couto terminou dizendo que, na atualidade, o maior trabalho em todo canto do mundo é o de reabilitar a esperança.
Doutora em ciência política pela Stanford University e professora titular da Universidade Estadual de Campinas, Evelina Dagnino abriu a segunda mesa redonda desta edição do Enecult destacando o encontro como um importante espaço de discussão sobre os estudos culturais. Em sua exposição, Evelina deu ênfase à associação entre cultura e política na construção democrática, ambas, segundo ela, interligadas de forma indissolúvel e entrelaçadas por relações de poder. “A política tem na cultura um elemento necessário e constitutivo das relações sociais”, assinalou.
Para compor a mesa, cujo tema teve como foco central a promoção de reflexões sobre cultura e política na América Latina, também foram convidados o crítico literário, pesquisador e professor do curso de mestrado em estudos culturais da Pontifícia Universidade Católica do Peru, Victor Vich, e o diretor da Secretaria de Comunicação da Presidência da República do Uruguai, Gonzalo Carámbula.
Em sua análise sobre o papel da cultura como um dispositivo socializador dos seres humanos e de transformação política, Vich foi enfático: “Qualquer pensamento sobre políticas culturais deve considerar não o que a cultura representa, mas o que ela faz na produção e reprodução das relações sociais”. Contundente em sua crítica, o expositor peruano sublinhou o papel fundamental da interseção entre política e cultura no combate a questões graves do mundo contemporâneo, como o autoritarismo das sociedades, as injustiças, o racismo e a falta de consciência ecológica.
Já Carámbula, após compartilhar das opiniões dos companheiros de mesa, lamentou que o investimento em políticas culturais tenha sido negligenciado e tratado como um capítulo à margem no Uruguai durante muitos anos. Militante político, ele também destacou o profundo valor social da cultura e a importância de se criar condições para que ela possa prosperar, interagir e assegurar liberdades. Ao final, a platéia presente ao Salão Nobre da Reitoria da UFBA participou de um debate com os convidados da mesa, mediado pelo professor do IHAC, Carlos Bonfim.



